Era uma quarta-feira de inverno terrível. Uma noite úmida, gelada, chuvosa. Dava tristeza de olhar pela janela, quem diria botar o pé pra fora de casa!
Eu já tava com meu pijaminha, pronta pra curtir um sanduíche e uma série da Warner bem quentinha com meu edredom fofinho.
Mas meu pequeno prazer caseiro pós faculdade não durou muito.
O telefone tocou logo em seguida. E um convite eufórico foi despejado nos meus ouvidos, seguido de mil argumentos a favor da juventude, da aventura, da diversão, de que não podíamos deixar a vida passar etc, etc, etc.
Levantei do sofá num pulo! Os argumentos eram muito bons.
Não pude resistir.
Abandonei meu pijama, meti umas botas e um vestido e me fui.
E entre um tec e outro do meu salto, a voz sussurrada da minha mãe pronunciou uma frasezinha meiga:
- Sua influenciavelzinha.
Tive que rir.
Eu sei bem que existe uma onda de pensamento que lamenta a existência das pessoas que mudam de opinião o tempo todo. E concordo que isso seja uma coisa bem irritante quando se deixa as pessoas na mão ou esperando por retornos que não vão acontecer.
Mas tirando isso, não vejo problema algum em mudar de ideia.
Ir ou não ir? Ficar? Não ficar? Doce, salgado? Compro, não compro? Liso ou cacheado?
Isso é porque eu sei que não só podem como existem opiniões e sugestões muito melhores do que aquelas que você tem pra você mesmo.
A vida, muitas vezes, sugere algo melhor através dos seus amigos, dos seus pais, dos seus colegas. Sugere um sapato melhor, uma roupa melhor, uma festa melhor, uma viagem, um encontro, um amor. Vai saber.
Sem contar que ficar fechada e convicta no que você decidiu, sem espaço algum pra flexibilidade e ponderação, é coisa de gente mesquinha.
Só não dá pra confundir: se você combinou que vai, então vai. Se disse que vai fazer, faça. Não é pra ficar gastando a paciência e a confiança dos outros à toa. Até porque existem decisões que você toma e não pode voltar atrás.
Indecisão tem hora e lugar. Não é pra tempo integral.
Não dá pra abrir mão de quem a gente é pra fazer o que os outros sugerem. Claro.
Mas certas coisas merecem uma pequena chance, sim.
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Quem sou eu
- Drika
- se meu coração pudesse falar tenho certeza de que ficaria calado. e suas palavras todas sairiam rabiscadas em folhas de papel.
sei que tu não resistia aos meu telefonemas!! lembro bem dessa noite, e da frase da tia Joice. Parabéns pelo texto, muito bom como sempre! ;*
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