segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

adeus, férias


Parece que foi ontem que minha mãe me puxava pela mão em zigue zague dentro daquelas papelarias lotadas de outras mães e outras crianças a procura de material escolar.
E eu aguardava o ano todo por aquele momento delicioso com ela, pra sentir aquele cheirinho de papel e deliciar meus olhos com aquela quantidade imensa de desenhos e cores. 
Sempre tive tara por material escolar, pelo cheirinho de novo dos livros e dos cadernos, pelos lápis de cor novinhos, pelas figurinhas, pelas canetas coloridas. 
Material escolar era pra ficar admirando até as aulas começarem. 
Eu ficava organizando a mochila, deslizando os dedinhos pelo papel em branco, imaginando tudo de novo que eu iria aprender e registrar ali. Aguardando, ansiosa, pelo primeiro dia de aula. 
Meu coraçãozinho de criança batia forte quando pensava no colégio e em rever os coleguinhas, ver os novos cortes de cabelo da galera, as novidades, as histórias das férias de verão, os novos professores.   
Era o mundo mágico de volta às aulas. 
E aí, de repente, os anos voaram até a faculdade, deixando tudo isso pra trás. 
Nem lembro a última vez que fiquei nervosa com algum recomeço de ano letivo, não lembro mais do gostinho de expectativa e surpresa. 
Não tenho mais pressa de aula e rezo pra que as férias se multipliquem dia após dia.   
Inclusive, rola uma onda de pensamento pelos corredores de que faculdade é bom, mas sem aula. 
É, né.
Porque bom mesmo é reencontrar a galera e saber das novidades de cada um, das histórias bizarras do verão, dos planos pro carnaval, das próximas festas do curso. 
Bem que o conhecimento poderia ser transmitido de outra forma. Na mesa de um bar, de preferência. Sem hora. Sem pressa. E com muita risada. 
Aula cansa. Crescer cansa. 
E daí vem a saudade. Aquela, sabe? Da falta de preocupação que eu tinha com essas coisinhas, pra me preocupar só em brincar de gente grande. 
Quero mais um mês de férias. E tenho dito! 

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

sua influenciável

Era uma quarta-feira de inverno terrível. Uma noite úmida, gelada, chuvosa. Dava tristeza de olhar pela janela, quem diria botar o pé pra fora de casa!
Eu já tava com meu pijaminha, pronta pra curtir um sanduíche e uma série da Warner bem quentinha com meu edredom fofinho.
Mas meu pequeno prazer caseiro pós faculdade não durou muito.
O telefone tocou logo em seguida. E um convite eufórico foi despejado nos meus ouvidos, seguido de mil argumentos a favor da juventude, da aventura, da diversão, de que não podíamos deixar a vida passar etc, etc, etc.
Levantei do sofá num pulo! Os argumentos eram muito bons. 

Não pude resistir.
Abandonei meu pijama, meti umas botas e um vestido e me fui.
E entre um tec e outro do meu salto, a voz sussurrada da minha mãe pronunciou uma frasezinha meiga:
- Sua influenciavelzinha.
Tive que rir.
Eu sei bem que existe uma onda de pensamento que lamenta a existência das pessoas que mudam de opinião o tempo todo. E concordo que isso seja uma coisa bem irritante quando se deixa as pessoas na mão ou esperando por retornos que não vão acontecer.
Mas tirando isso, não vejo problema algum em mudar de ideia.
Ir ou não ir? Ficar? Não ficar? Doce, salgado? Compro, não compro? Liso ou cacheado?
Isso é porque eu sei que não só podem como existem opiniões e sugestões muito melhores do que aquelas que você tem pra você mesmo.
A vida, muitas vezes, sugere algo melhor através dos seus amigos, dos seus pais, dos seus colegas. Sugere um sapato melhor, uma roupa melhor, uma festa melhor, uma viagem, um encontro, um amor. Vai saber.
Sem contar que ficar fechada e convicta no que você decidiu, sem espaço algum pra flexibilidade e ponderação, é coisa de gente mesquinha.
Só não dá pra confundir: se você combinou que vai, então vai. Se disse que vai fazer, faça. Não é pra ficar gastando a paciência e a confiança dos outros à toa. Até porque existem decisões que você toma e não pode voltar atrás.
Indecisão tem hora e lugar. Não é pra tempo integral. 
Não dá pra abrir mão de quem a gente é pra fazer o que os outros sugerem. Claro.
Mas certas coisas merecem uma pequena chance, sim.

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se meu coração pudesse falar tenho certeza de que ficaria calado. e suas palavras todas sairiam rabiscadas em folhas de papel.

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