Por esses dias rolava uma conversa muito séria sobre o quão detestáveis são pessoas mentirosas.
- Porque não existe nada pior que alguém falso e dissimulado!
Tudo bem.
Sinceridade é importante, concordo. Mas me diz: quem tem saco pra aguentar alguém sincero em tempo integral?
Eu não.
E digo isso porque já convivi com Maria, minha tia-avó. Pessoinha inigualável, porém descritível.
A figura, então, já passando dos sessenta, é a pessoa mais sincera que eu conheço. Sincera e desprovida de papas na língua, devo dizer. A sinceridade dela é tanta que quase em sempre é pauta das reuniões familiares. Suas pérolas são repetidas, de geração em geração, justamente pra perpetuar as frases inescrupulosas.
A gente sabe que ela nasceu assim e que foge de seu controle. Mas de qualquer jeito, você precisa se esforçar para suportar seus comentários absolutamente honestos.
Vou dar alguns exemplos: certa vez o primo apresentou sua namorada pra tia e, inocente, quis saber a opinião dela. “Tão bonito o corpo da sua namorada, hein, Fulano, mas o rosto, que horror.” Ainda em
outra ocasião, disse à minha tia com câncer: “Ai, querida, como você ficou estranha sem cabelo”. Sem contar a vez que chamou de “horrivelzinho” o bebê de sua sobrinha, na frente dela, enquanto o segurava.
Coisinhas assim, que se você fica ouvindo o dia inteiro, enlouquece.
Não adianta me enganar, em algum momento do seu dia, semana, mês ou ano, você vai largar uma mentirinha. Nem que seja em nome da boa vizinhança, pra não se estressar, pra não perder o emprego, o amigo, etc., etc., etc. Mentir é essencial. Pronto, falei.
E não acho que isso nos torne falsos ou dissimulados, é algo que compõe a essência de uma vida harmoniosa.
Ora, pra que piorar o dia da sua mãe dizendo que ela tá com uma cara péssima, gratuitamente? Ou comentar o quão horrível é um vestido que sua prima já comprou e está usando numa festa? É realmente necessário comentar? Pô. Se toca.
Acho que é uma questão de bom senso, de saber o que vale e o que não vale a pena ser dito. Certas verdades são tão mesquinhas que quando exteriorizadas acabam sendo inúteis, e ainda pior, machucando. Agora, quando a sua sinceridade for fazer uma diferença positiva na vida de alguém, bom, então você deve usá-la. E pra valer.
Não é que eu seja a favor de mentiras integrais, mas sou, sim, a favor daquelas que nos poupam energia, tempo e amor. Dá pra ser tolerante com esse tipo de falta de sinceridade.
Ajuda a manter a sanidade. A minha, ao menos.
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Quem sou eu
- Drika
- se meu coração pudesse falar tenho certeza de que ficaria calado. e suas palavras todas sairiam rabiscadas em folhas de papel.
Adorei teu modo de escrever!!!
ResponderExcluirParabéns!!
Bjos!
Tu escreve muito bem Drê!!
ResponderExcluiradorei esse texto da tia Maria.. hUAHUAhUA
beijooos!