Não sei se já compartilhei aqui o pavor que tenho de textos acadêmicos.
Não?
Então vou dizer: tenho pavor de textos acadêmicos.
Não aqueles feitos por acadêmicos, aqueles feitos para acadêmicos.
Aqueles que seu professor vive deixando no Xerox e pedindo resenha pra depois discutir em aula. Aqueles que também acabam com seu humor pela raiz quando você lembra que tem que ler. Aqueles que dão vontade de arrancar os cabelos quando você precisa gastar 15 pila em um polígrafo para lê-los.
Odeio porque me dão sono, porque potencializam o meu tédio, porque eles dizem em 3 parágrafos o que poderia ser dito em uma única frase bem divertida.
Odeio porque são chatos, porque não passam emoção, porque assassinam uma das minhas maiores paixões – a leitura.
Mas eu entendo os escritores – eles são reféns de um sistema de normas e regras para conseguirem seus certificados e doutorados e afins, e acabam tendo que escrever daquele jeito chato, quem sabe até pra passar credibilidade – o que eu acho uma bobagem tremenda -. E entendo os professores, que tem esses autores como referência, e apostam em leituras assim, na suave esperança de desenvolver nosso vocabulário e intelecto. E eu gosto dessa aposta.
Mas enfim, nada disso muda o fato de ser um porre.
E eu continuo sonhando com o dia que esses escritores se libertem do seu mundinho acadêmico e escrevam com paixão e vontade, transformando assuntos insuportáveis em uma leitura leve, divertida e surpreendente. E que me façam pensar que gastar meus trocados em Xerox é um investimento!
Porque escrever bem não é só usar palavra difícil. É pegar qualquer coisa que se queira dizer e transformar com as palavras em algo que satisfaça.
Sa-tis-fa-ça.
Quem escreve. Quem lê.
sexta-feira, 25 de março de 2011
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
adeus, férias
Parece que foi ontem que minha mãe me puxava pela mão em zigue zague dentro daquelas papelarias lotadas de outras mães e outras crianças a procura de material escolar.
E eu aguardava o ano todo por aquele momento delicioso com ela, pra sentir aquele cheirinho de papel e deliciar meus olhos com aquela quantidade imensa de desenhos e cores.
E eu aguardava o ano todo por aquele momento delicioso com ela, pra sentir aquele cheirinho de papel e deliciar meus olhos com aquela quantidade imensa de desenhos e cores.
Sempre tive tara por material escolar, pelo cheirinho de novo dos livros e dos cadernos, pelos lápis de cor novinhos, pelas figurinhas, pelas canetas coloridas.
Material escolar era pra ficar admirando até as aulas começarem.
Eu ficava organizando a mochila, deslizando os dedinhos pelo papel em branco, imaginando tudo de novo que eu iria aprender e registrar ali. Aguardando, ansiosa, pelo primeiro dia de aula.
Meu coraçãozinho de criança batia forte quando pensava no colégio e em rever os coleguinhas, ver os novos cortes de cabelo da galera, as novidades, as histórias das férias de verão, os novos professores.
Era o mundo mágico de volta às aulas.
E aí, de repente, os anos voaram até a faculdade, deixando tudo isso pra trás.
Nem lembro a última vez que fiquei nervosa com algum recomeço de ano letivo, não lembro mais do gostinho de expectativa e surpresa.
Não tenho mais pressa de aula e rezo pra que as férias se multipliquem dia após dia.
Inclusive, rola uma onda de pensamento pelos corredores de que faculdade é bom, mas sem aula.
É, né.
Porque bom mesmo é reencontrar a galera e saber das novidades de cada um, das histórias bizarras do verão, dos planos pro carnaval, das próximas festas do curso.
Bem que o conhecimento poderia ser transmitido de outra forma. Na mesa de um bar, de preferência. Sem hora. Sem pressa. E com muita risada.
Aula cansa. Crescer cansa.
E daí vem a saudade. Aquela, sabe? Da falta de preocupação que eu tinha com essas coisinhas, pra me preocupar só em brincar de gente grande.
Quero mais um mês de férias. E tenho dito!
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
sua influenciável
Era uma quarta-feira de inverno terrível. Uma noite úmida, gelada, chuvosa. Dava tristeza de olhar pela janela, quem diria botar o pé pra fora de casa!
Eu já tava com meu pijaminha, pronta pra curtir um sanduíche e uma série da Warner bem quentinha com meu edredom fofinho.
Mas meu pequeno prazer caseiro pós faculdade não durou muito.
O telefone tocou logo em seguida. E um convite eufórico foi despejado nos meus ouvidos, seguido de mil argumentos a favor da juventude, da aventura, da diversão, de que não podíamos deixar a vida passar etc, etc, etc.
Levantei do sofá num pulo! Os argumentos eram muito bons.
Não pude resistir.
Abandonei meu pijama, meti umas botas e um vestido e me fui.
E entre um tec e outro do meu salto, a voz sussurrada da minha mãe pronunciou uma frasezinha meiga:
- Sua influenciavelzinha.
Tive que rir.
Eu sei bem que existe uma onda de pensamento que lamenta a existência das pessoas que mudam de opinião o tempo todo. E concordo que isso seja uma coisa bem irritante quando se deixa as pessoas na mão ou esperando por retornos que não vão acontecer.
Mas tirando isso, não vejo problema algum em mudar de ideia.
Ir ou não ir? Ficar? Não ficar? Doce, salgado? Compro, não compro? Liso ou cacheado?
Isso é porque eu sei que não só podem como existem opiniões e sugestões muito melhores do que aquelas que você tem pra você mesmo.
A vida, muitas vezes, sugere algo melhor através dos seus amigos, dos seus pais, dos seus colegas. Sugere um sapato melhor, uma roupa melhor, uma festa melhor, uma viagem, um encontro, um amor. Vai saber.
Sem contar que ficar fechada e convicta no que você decidiu, sem espaço algum pra flexibilidade e ponderação, é coisa de gente mesquinha.
Só não dá pra confundir: se você combinou que vai, então vai. Se disse que vai fazer, faça. Não é pra ficar gastando a paciência e a confiança dos outros à toa. Até porque existem decisões que você toma e não pode voltar atrás.
Indecisão tem hora e lugar. Não é pra tempo integral.
Não dá pra abrir mão de quem a gente é pra fazer o que os outros sugerem. Claro.
Mas certas coisas merecem uma pequena chance, sim.
Eu já tava com meu pijaminha, pronta pra curtir um sanduíche e uma série da Warner bem quentinha com meu edredom fofinho.
Mas meu pequeno prazer caseiro pós faculdade não durou muito.
O telefone tocou logo em seguida. E um convite eufórico foi despejado nos meus ouvidos, seguido de mil argumentos a favor da juventude, da aventura, da diversão, de que não podíamos deixar a vida passar etc, etc, etc.
Levantei do sofá num pulo! Os argumentos eram muito bons.
Não pude resistir.
Abandonei meu pijama, meti umas botas e um vestido e me fui.
E entre um tec e outro do meu salto, a voz sussurrada da minha mãe pronunciou uma frasezinha meiga:
- Sua influenciavelzinha.
Tive que rir.
Eu sei bem que existe uma onda de pensamento que lamenta a existência das pessoas que mudam de opinião o tempo todo. E concordo que isso seja uma coisa bem irritante quando se deixa as pessoas na mão ou esperando por retornos que não vão acontecer.
Mas tirando isso, não vejo problema algum em mudar de ideia.
Ir ou não ir? Ficar? Não ficar? Doce, salgado? Compro, não compro? Liso ou cacheado?
Isso é porque eu sei que não só podem como existem opiniões e sugestões muito melhores do que aquelas que você tem pra você mesmo.
A vida, muitas vezes, sugere algo melhor através dos seus amigos, dos seus pais, dos seus colegas. Sugere um sapato melhor, uma roupa melhor, uma festa melhor, uma viagem, um encontro, um amor. Vai saber.
Sem contar que ficar fechada e convicta no que você decidiu, sem espaço algum pra flexibilidade e ponderação, é coisa de gente mesquinha.
Só não dá pra confundir: se você combinou que vai, então vai. Se disse que vai fazer, faça. Não é pra ficar gastando a paciência e a confiança dos outros à toa. Até porque existem decisões que você toma e não pode voltar atrás.
Indecisão tem hora e lugar. Não é pra tempo integral.
Não dá pra abrir mão de quem a gente é pra fazer o que os outros sugerem. Claro.
Mas certas coisas merecem uma pequena chance, sim.
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
ao fim, enfim
Eu sei que já passou da hora.
Mas não faça a bobagem de pensar que te esqueci.
Eu ainda penso em você. Eu ainda sinto você. Eu ainda colho os frutos de tudo o que você me fez passar.
Andei pensando na gente esses dias todos. E no que diria quando tivesse que me despedir.
E eu não queria me despedir.
Juro que não. Afinal, você foi tão maravilhoso comigo, você foi tão meigo e paciente.
Mas acontece que essa coisa de despedida é mais forte que eu e você.
E eu fico aqui lembrando do nosso começo, em descompasso.
Você não ia com a minha cara. Ficava desdenhando os meus planos pra lá e pra cá, assistindo a minha agonia interna dando uma risadinha de canto de boca. Bem canalha.
Achei que as coisas não iam melhorar. E ainda não sei o que eu fiz pra você mudar de ideia. Pra resolver ser docemente imprevisível e acolhedor, transformando os meus dias tediosos em presentes.
De todas as coisas que vieram e foram, se perdendo e se encontrando na correria dos meus dias, minha imaginação não conseguiria arquitetar uma jornada tão encantadora. Você me proporcionou pessoas e situações especialmente melhores que qualquer plano e qualquer caminho que eu pudesse traçar.
Fizemos um pouco de tudo. E o tudo me fez tão feliz.
Vou sentir saudades carinhosas e uma gratidão eterna por tudo de maravilhoso que você me deu.
Você foi fantástico.
Que 2011 chegue aos seus pés.
Mas não faça a bobagem de pensar que te esqueci.
Eu ainda penso em você. Eu ainda sinto você. Eu ainda colho os frutos de tudo o que você me fez passar.
Andei pensando na gente esses dias todos. E no que diria quando tivesse que me despedir.
E eu não queria me despedir.
Juro que não. Afinal, você foi tão maravilhoso comigo, você foi tão meigo e paciente.
Mas acontece que essa coisa de despedida é mais forte que eu e você.
E eu fico aqui lembrando do nosso começo, em descompasso.
Você não ia com a minha cara. Ficava desdenhando os meus planos pra lá e pra cá, assistindo a minha agonia interna dando uma risadinha de canto de boca. Bem canalha.
Achei que as coisas não iam melhorar. E ainda não sei o que eu fiz pra você mudar de ideia. Pra resolver ser docemente imprevisível e acolhedor, transformando os meus dias tediosos em presentes.
De todas as coisas que vieram e foram, se perdendo e se encontrando na correria dos meus dias, minha imaginação não conseguiria arquitetar uma jornada tão encantadora. Você me proporcionou pessoas e situações especialmente melhores que qualquer plano e qualquer caminho que eu pudesse traçar.
Fizemos um pouco de tudo. E o tudo me fez tão feliz.
Vou sentir saudades carinhosas e uma gratidão eterna por tudo de maravilhoso que você me deu.
Você foi fantástico.
Que 2011 chegue aos seus pés.
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
da boca pra fora
Sempre invejei os faladores.
Sempre tive admiração por aquelas pessoas que nasceram com a habilidade especial de conseguir escolher as palavras certas e as pronunciarem corretamente, uma atrás da outra, formando frases compreensíveis, pronunciadas rapidamente, expressando exatamente o que se pensa e sente.
Ufa!
Eu nunca fui boa em falar. E desde que eu me lembro, prefiro as palavras escritas.
As coisas mais importantes que eu poderia ter dito até hoje saíram em folha de papel.
Não sei. Meu coração não se dá muito bem com o meu mecanismo de fala na hora de expressar meus sentimentos.
É complicado pra mim. Eu engasgo. Eu fico olhando pros lados. Eu esqueço o que queria dizer. E acabo não dizendo nada com nada.
Não venha falar de coisas complicadas comigo se estiver com pressa. Vou demorar pra responder. Ficar parada olhando pro horizonte, pensando, pensando. Procurando uma maldita frase que possa se encaixar com o momento. E talvez nem responda algo decente no fim.
Sempre fui meio frustrada com isso. Com essa minha falta de capacidade de formar frases orais em horas delicadas.
Até certa vez que li, em algum lugar mundo afora, que não basta ouvir o que as pessoas dizem, temos de ouvir o que elas talvez nunca venham a dizer.
Poxa. É verdade.
Existem coisas que talvez nunca digamos. Coisas que não cabem em palavras.
São mais de 356 mil delas, disponibilizadas pela Língua Portuguesa, insuficientes, para tudo o que meu coração quer dizer.
Palavras não bastam.
Deve ser por isso que inventaram a música, que inventaram a arte, que inventaram a lágrima.
O coração é um universo à parte que não pode falar por si só. Não há quem diga exatamente o que ele quer.
As mensagens muitas vezes vêm confusas. Porque o coração é confuso.
Dizer pode ser dizer errado. Falar muito pode ser falar nada. As palavras não precisam nem significar exatamente aquilo que se entende. Você pode levar muito a sério o que alguém fala só da boca pra fora.
Palavras são boas, mas não dizem tudo.
As ações falam muito, os sorrisos, os abraços, os olhares. E o silêncio, às vezes, fala mais.
É preciso ouvi-los.
Não tenho esperança alguma de que eu vá me transformar em uma revelação da oratória.
Mas quanto a ouvir, bem, ando querendo ouvir mais.
Sempre tive admiração por aquelas pessoas que nasceram com a habilidade especial de conseguir escolher as palavras certas e as pronunciarem corretamente, uma atrás da outra, formando frases compreensíveis, pronunciadas rapidamente, expressando exatamente o que se pensa e sente.
Ufa!
Eu nunca fui boa em falar. E desde que eu me lembro, prefiro as palavras escritas.
As coisas mais importantes que eu poderia ter dito até hoje saíram em folha de papel.
Não sei. Meu coração não se dá muito bem com o meu mecanismo de fala na hora de expressar meus sentimentos.
É complicado pra mim. Eu engasgo. Eu fico olhando pros lados. Eu esqueço o que queria dizer. E acabo não dizendo nada com nada.
Não venha falar de coisas complicadas comigo se estiver com pressa. Vou demorar pra responder. Ficar parada olhando pro horizonte, pensando, pensando. Procurando uma maldita frase que possa se encaixar com o momento. E talvez nem responda algo decente no fim.
Sempre fui meio frustrada com isso. Com essa minha falta de capacidade de formar frases orais em horas delicadas.
Até certa vez que li, em algum lugar mundo afora, que não basta ouvir o que as pessoas dizem, temos de ouvir o que elas talvez nunca venham a dizer.
Poxa. É verdade.
Existem coisas que talvez nunca digamos. Coisas que não cabem em palavras.
São mais de 356 mil delas, disponibilizadas pela Língua Portuguesa, insuficientes, para tudo o que meu coração quer dizer.
Palavras não bastam.
Deve ser por isso que inventaram a música, que inventaram a arte, que inventaram a lágrima.
O coração é um universo à parte que não pode falar por si só. Não há quem diga exatamente o que ele quer.
As mensagens muitas vezes vêm confusas. Porque o coração é confuso.
Dizer pode ser dizer errado. Falar muito pode ser falar nada. As palavras não precisam nem significar exatamente aquilo que se entende. Você pode levar muito a sério o que alguém fala só da boca pra fora.
Palavras são boas, mas não dizem tudo.
As ações falam muito, os sorrisos, os abraços, os olhares. E o silêncio, às vezes, fala mais.
É preciso ouvi-los.
Não tenho esperança alguma de que eu vá me transformar em uma revelação da oratória.
Mas quanto a ouvir, bem, ando querendo ouvir mais.
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
giro certo
Ela caiu de paraquedas no meu mundo com o nariz em pé.
E meu mundo era um mundinho, sabe? Proporcional aos meus recém feitos catorze anos. Sem muita aventura. Quietinho. Vida social quase inexistente. Uma chatice.
E ela não.
Ela tinha vindo desses mundos de gente grande, independente, impaciente pra pequenices, pra gente boba, tipo eu.
Ela ria alto. Abraçava forte. Andava sozinha, ela era boa em todos os esportes, ela conversava com todo mundo, e todo mundo que eu gostava, gostava dela.
A minha inveja, misturada com um ódio quase inocente, crescia a cada sorriso que ela dava. Odiava os cabelos pretos, odiava os olhos puxados, odiava o fato dela chamar atenção por onde passasse, odiava meus colegas dizendo o quanto ela era bonita!
E eu sabia que ela não gostava de mim. E eu, definitivamente, não gostava dela.
Argh! Aquela guria! Por que não voltava pro lugar de onde tinha vindo?
Os anos do colégio passaram, e eu a detestei todos os dias enquanto estive lá, mesmo que de longe. Bem de longe.
Com o passar dos anos o ódio sumira, mas a antipatia ainda estava lá.
- Aquela guria? Não. Não sou amiga dela. É, é, também não gosto dela.
E o destino, insatisfeito, insistiu.
Acabamos, eu e ela, participando de um projeto de intercâmbio que nos obrigou a conviver por seis meses. Dividimos o mesmo quarto, o mesmo banheiro, os mesmos amigos, os mesmos problemas.
E quando me dei por conta, já estava com o nome dela escrito no meu coração. Se tornou, sem querer, uma das amizades mais importantes, e sinceras, e essenciais, e valiosas da minha vida toda.
É o tipo de pessoa que fica, não que passa. Que eu amo e cuido, respeito e admiro. De todo coração.
Quem diria.
Hoje a gente dá risada do que aconteceu lá atrás, bebendo cerveja e falando da vida. E sabe que o coração engana, confunde, é um completo idiota.
Amor vira indiferença.
Ódio vira amor.
Implicância vira admiração.
O mundo gira muito. A gente muda muito.
Que bom.
E meu mundo era um mundinho, sabe? Proporcional aos meus recém feitos catorze anos. Sem muita aventura. Quietinho. Vida social quase inexistente. Uma chatice.
E ela não.
Ela tinha vindo desses mundos de gente grande, independente, impaciente pra pequenices, pra gente boba, tipo eu.
Ela ria alto. Abraçava forte. Andava sozinha, ela era boa em todos os esportes, ela conversava com todo mundo, e todo mundo que eu gostava, gostava dela.
A minha inveja, misturada com um ódio quase inocente, crescia a cada sorriso que ela dava. Odiava os cabelos pretos, odiava os olhos puxados, odiava o fato dela chamar atenção por onde passasse, odiava meus colegas dizendo o quanto ela era bonita!
E eu sabia que ela não gostava de mim. E eu, definitivamente, não gostava dela.
Argh! Aquela guria! Por que não voltava pro lugar de onde tinha vindo?
Os anos do colégio passaram, e eu a detestei todos os dias enquanto estive lá, mesmo que de longe. Bem de longe.
Com o passar dos anos o ódio sumira, mas a antipatia ainda estava lá.
- Aquela guria? Não. Não sou amiga dela. É, é, também não gosto dela.
E o destino, insatisfeito, insistiu.
Acabamos, eu e ela, participando de um projeto de intercâmbio que nos obrigou a conviver por seis meses. Dividimos o mesmo quarto, o mesmo banheiro, os mesmos amigos, os mesmos problemas.
E quando me dei por conta, já estava com o nome dela escrito no meu coração. Se tornou, sem querer, uma das amizades mais importantes, e sinceras, e essenciais, e valiosas da minha vida toda.
É o tipo de pessoa que fica, não que passa. Que eu amo e cuido, respeito e admiro. De todo coração.
Quem diria.
Hoje a gente dá risada do que aconteceu lá atrás, bebendo cerveja e falando da vida. E sabe que o coração engana, confunde, é um completo idiota.
Amor vira indiferença.
Ódio vira amor.
Implicância vira admiração.
O mundo gira muito. A gente muda muito.
Que bom.
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
lá atrás
'Se passado ajudasse, ele estaria do seu lado e não lá atrás.' Já twittava o @famousphrases – William Shakespeare, citando Marcio Kühne.
Meus olhos quase deixaram escapar.
Mas voltei. Li de novo.
Tive que ler mais uma vez. E meu coração voou solto por cima desses anos todos que me guiaram até aqui.
Olhei pro lado, então. Pro outro. E quando percebi estava dando uma volta ao redor de mim mesma, admirando tudo o que o passado me ajudou a construir.
Com todo respeito à sua opinião, Sr. Marcio, vou discordar. Passado ajuda, sim.
Ajuda a ver melhor, a escolher melhor, a tentar melhor. Ajuda. Ensina. Faz crescer.
Águas passadas não movem moinhos, eu sei, eu sei. Mas gosto de olhar pra trás, vez ou outra, pra perceber o quanto de mim deixei pelo caminho e as partes novas que brotaram aqui.
Foi tanta coisa que ficou. Tanta coisa que se vive e sente e se esquece com essa mania maldita de se preocupar com o futuro o tempo todo.
Eu gosto de lembrar. De rir sozinha, de chorar de saudade.
As músicas que eu não gosto mais, os filmes que eu já vi, os lugares que visitei, as conversas que tive e as que não tive também, os amigos com os quais não falo mais, os gostos que mudaram, os professores, a moda ultrapassada, meus estranhos cortes de cabelo, as cartinhas de amor, as dores. As pessoas que eu detestava e que hoje amo, as pessoas que eu amava e hoje detesto.
Pronto. Passou. Não quero ficar presa lá. Só dar uma passadinha. Acompanhar minha evolução. E depois rir de tudo.
Cada escolha e cada renúncia foram peças essenciais na construção do meu tão incompleto quebra cabeça.
Tudo de bom ou ruim que ficou lá atrás serviu pra me fazer eu mesma. Melhor, pior. Diferente.
Mais feliz. =)
Meus olhos quase deixaram escapar.
Mas voltei. Li de novo.
Tive que ler mais uma vez. E meu coração voou solto por cima desses anos todos que me guiaram até aqui.
Olhei pro lado, então. Pro outro. E quando percebi estava dando uma volta ao redor de mim mesma, admirando tudo o que o passado me ajudou a construir.
Com todo respeito à sua opinião, Sr. Marcio, vou discordar. Passado ajuda, sim.
Ajuda a ver melhor, a escolher melhor, a tentar melhor. Ajuda. Ensina. Faz crescer.
Águas passadas não movem moinhos, eu sei, eu sei. Mas gosto de olhar pra trás, vez ou outra, pra perceber o quanto de mim deixei pelo caminho e as partes novas que brotaram aqui.
Foi tanta coisa que ficou. Tanta coisa que se vive e sente e se esquece com essa mania maldita de se preocupar com o futuro o tempo todo.
Eu gosto de lembrar. De rir sozinha, de chorar de saudade.
As músicas que eu não gosto mais, os filmes que eu já vi, os lugares que visitei, as conversas que tive e as que não tive também, os amigos com os quais não falo mais, os gostos que mudaram, os professores, a moda ultrapassada, meus estranhos cortes de cabelo, as cartinhas de amor, as dores. As pessoas que eu detestava e que hoje amo, as pessoas que eu amava e hoje detesto.
Pronto. Passou. Não quero ficar presa lá. Só dar uma passadinha. Acompanhar minha evolução. E depois rir de tudo.
Cada escolha e cada renúncia foram peças essenciais na construção do meu tão incompleto quebra cabeça.
Tudo de bom ou ruim que ficou lá atrás serviu pra me fazer eu mesma. Melhor, pior. Diferente.
Mais feliz. =)
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Quem sou eu
- Drika
- se meu coração pudesse falar tenho certeza de que ficaria calado. e suas palavras todas sairiam rabiscadas em folhas de papel.